Sarjeta

Crédito: Leandro Padilha Ferreira – Capão do Leão – Próximo a Elberto Madruga

É o lento alvorecer dos dentes, ao sair das gengivas? É o cobalto e o alvo dos montes nevados? São as planícies de Marte? É o metal das armaduras de valentes cavaleiros? A argila que moldou formas únicas pela mão que cria sem parar? O pequeno verde das florestas que se vão? A desordem que vai tomando conta, o caos que se aninha nos nossos sonhos de ordem em um mundo sem sentido, onde o louco filósofo proclamou que Deus está morto? Pequeno fractal da vida, que se mostra refulgente mesmo nas sarjetas, mesmos nos cantos esquecidos. Holograma da existência, que se mostra a quem tem olhos para ver, e tempo para olhar. Parte roubada dos caminhos que nunca tomei, que viaja onde não estou, naquela rua que nunca fui, aquela casa onde não nasci. – Leandro Padilha Ferreira, 26/5/2012